Mostrar mensagens com a etiqueta sistema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sistema. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Hertha Berlim 1 Sporting 0 - Como é que é possível?



Como é que é possível? O Sporting perde em Berlim com um Hertha que no campeonato alemão só tem 1 vitória em 16 jornadas. Perdemos com 1 Hertha que simplesmente não sabe jogar à bola. Revisto jogo - para o bem e para o mal os dvr´s do serviço cabo são excelentes para revermos os jogos com mais atenção - é de levar as mãos à cabeça de desespero.

E mais desesperantes são as palavras de Carlos Carvalhal que se dá ao luxo, depois da derrota com os cepos alemães, dizer que gostou da exibição da equipa e que praticámos um futebol interessante.

Mas será que o frio congelou-lhe as ideias? Eu não vi o Sporting a jogar bem. Não vi mesmo. Vi uma equipa a trocar a bola, sem ritmo, sem pressionar, sem desmarcações, sem passes de ruptura apenas 2!!!) sem sequer estar interessada em marcar um golo. É uma tristeza ver o Sporting a jogar assim.

Entrámos, uma vez mais com a equipa desenhada em 4x2x3x1, com várias alterações áquele que me parece ser o melhor 11 do momento. Grimmo, Pedro Silva, Tonel, Adrien, Pereirinha e Saleiro foram as novidades. Destes, para mim, apenas Saleiro conseguiu marcar presença séria no jogo, embora de forma desesperante ao ter que lutar sozinho na maioria das vezes contra 4 torres alemãs que sendo todas elas autênticos troncos de madeira conseguiram sempre controlar o abandonado ponta de lança leonino.

A defesa é um aí nos acuda. Se contra estes jogadores, cada vez que a bola entra na nossa área é o pânico imaginem quando nos calhar um qualquer tubarão europeu?

O meio campo simplesmente não existe. Adrien, Moutinho, Ismailov, Matias, Pereirinha não se entendem. Passes, trocas de bola, para os lados, para trás, pouca movimentação, com a necessidade de trocar a bola "50 vezes" antes de a conseguir colocar no último terço do terreno. Não houve ideias no futebol do Sporting. Vejo e revejo lances onde se dá a entender que pura e simplesmente a bola está a mais. Moutinho fez uma exibição confrangedora. Adrien continua a falhar 1 passe em cada 3 que faz. A defesa valeu por Tonel e Carriço, pois Pedro Silva e Grimmi... não têm neste momento performances para jogar no Sporting.

Ismailov vai ganhando ritmo. Saleiro lutou... sozinho, mas lutou. Tentou puxar a equipa. Tentou segurar a bola. Mas quando o fazia a equipa estava 30 metros atrás e inevitavelmente ou perdia a bola rodeado de alemães, ou tinha de efectuar passes longos para trás. E sempre que tinha de o fazer fugia para as laterais ficando a área adversária completamente tranquila.

Agora pergunto... que futebol é este? Que jogo é este? Onde estão as melhorias que se exigiam depois da saída de Paulo Bento? O que se passa com estes jogares? O que vai naquelas cabecinhas?

O golo sofrido... é mais um anedótico. Um canto, bola aliviada para o sítio errado, Hertha volta a colocar a bola no jogador que marca o canto, não sai ninguém do Sporting na marcação desse jogador, novo centro... Abel marca o último alemão por... trás, Grimmi (?) pela frente e nenhum incomoda o jogador alemão que empurra devagar devagarinho a bola para a baliza de Patrício que apenas assiste a isto tudo impávido e sereno. Passa o tempo todo a gritar "SOBE! SOBE! SOBE!" "VAMOS CA#$&#O" ... e não passa disto. Cada bola parada é meio golo contra nós. Ao contrário, nos lances de bola parada, somos completamente inofensivos. Alguém se lembra de quando é que fizemos o último lance de perigo saído de um canto ou de um livro lateral?

Isto tudo entra numa ideia cada vez mais clara sobre o futebol do Sporting. Os jogadores chave da equipa - Moutinho, Veloso, Matias, Ismailov, Vuk, Liedson - não estão em sintonia com Carlos Carvalhal. O motor da equipa, que não funcionou ainda esta época, está definitivamente gripado, e como não tem apoio das laterais - ineficácia futebolística total - não consegue ter nos centrais um único rasgo ofensivo e tem um ponta de lança perdido sempre no meio de 4 defesas adversários, percebe que não poderá fazer muito mais do que isto.

Estamos assim condenados... a definhar longamente esta época até se reencontrar - sabe-se lá - o caminho para um futebol mais digno das camisolas do Sporting.

Tenho noção que provavelmente estarei a dramatizar em demasia - ou não - e a exigir muito de Carvalhal com menos de 2 meses à frente da equipa, mas, não estarei errado se disser que já todo o mundo percebeu que o Sporting não pode jogar com este sistema, como se o mesmo fosse aplicado numa equipa com menos ambições que o Sporting. Este sistema, só faz sentido com um futebol de pressão total, envolvimento dos laterais e com o trio do meio campo ofensivo colados ao ponta de lança, sendo que esse ponta de lança não se pode desgastar em correrias para recuperar bolas, nem fugas para as laterais. Tem de jogar essencialmente na área. Mas será possível afinar este sistema em tão pouco tempo? Não. Muito menos em competição. O ónus desta mudança é que com a falta de resultados o Sporting perde a fé, moral e auto-estima - que este ano ainda não a vimos - e fragiliza totalmente Carlos Carvalhal. É este o grande risco que se coloca na eminência de o Sporting poder realizar uma das suas piores épocas de sempre.

Este eram os riscos que estavam agarrados à troca de treinador. Uma troca destas só poderia ter melhores resultados no final de uma época. quando os jogadores de cabeça limpa e com os devidos reforços poderia abraçar um novo treinador e um novo sistema de jogo sem problemas. Por isso nunca defendi quer com Peseiro, Inácio e Paulo Bento os despedimentos que a bancada exigiu. E este ano exigiu muito mal. No Timming errado. E nunca mais aprendemos.

Vem aí mais uma paragem. Carvalhal ganhará mais algum tempo para construir o que deseja para o futebol do Sporting. Urge colocar a equipa a jogar mais e melhor futebol e acreditar que é possível recuperar lugares na liga e lutar pelas competições onde ainda estamos presentes para lá da Liga.

Acabou agora o sorteio da Liga Europa e no sorteio para os 16 Ávos de final vamos encontrar o Everton, 2 vezes derrotado e bem pelo Benfica. Não imagino que possamos ser eliminados por uma equipa inglesa que este ano também tem andado pelas ruas da amargura.

Uma questão que deixo no ar é... onde estão os resultados do efeito Sá Pinto? Eu acreditava que esta nomeação pelo menos levasse mais agressividade para o plantel, mas até agora ainda não senti mudança nenhuma.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Ainda sobre Liedson e as suas palavras pós Heerenveen


Não compreendo o frenesim da comunicação social sobre as palavras de Liedson após o jogo do Sporting contra os holandeses do Heereveen. Liedson disse o que sentia e o que provavelmente todo o mundo leonino, inclusivamente o treinador, sentiu depois do jogo com Benfica e novamente no jogo da Liga Europa.

Não senti que Liedson estivesse a colocar tudo e todos em causa. Senti sim que o avançado está visivelmente preocupado por não fazer golos, não contribuindo assim para a recuperação e sucesso da equipa.

Liedson teve 2 oportunidades. Ambas, em condições normais, seriam golo certo. Falhou, quanto a mim de forma displicente. Má forma? Liedson reconhece nas suas palavras que sim. E de forma consciente disse, que colocava o seu lugar à disposição do treinador. Parece-me coerente com o discurso de Liedson. Disse ainda que com este sistema torna-se mais difícil chegar ao golo, porque joga sem apoio. E tem razão. Julgo que todos lhe darão razão também. Até mesmo Carvalhal.

Agora transformar estas palavras no caso da semana Leonina é que me parece completamente despropositado. Em praticamente todos os os flash interview os jogadores dizem banalidades, frases feitas e lugares comuns. São, gozados a torto e a direito, por o fazerem. É certo que muitos jogadores também não têm vocabulário para mais. Mas Liedson, foi igual a ele próprio. Fez a análise do jogo, foi transparente nas palavras e nos sentimentos que transmitiu e reconheceu quais as dificuldades que sente no actual momento. Não contestou ninguém, não colocou o treinador em cheque, não foi injusto para os companheiros... foi apenas realista.

A comunicação social pega nesta honestidade de Liedson e torna-a no caso da semana. Porquê? Com que objectivo? Provavelmente não têm mais assunto e Liedson pôs-se a jeito. Da próxima, Liedson fará o que os comuns jogadores fazem naquelas circunstancias: dirá banalidades.

Fica no entanto a minha observação: Liedson tem razão. Jogar abandonado na frente não é - nem poderá ser - a matriz de jogo deste novo sistema. Carvalhal terá com certeza isso bem presente na sua concepção técnica e táctica e terá de trabalhar rapidamente o seu 4x2x3x1 na sua forma ofensiva. Insisto que este sistema, será o que mais beneficiará o futebol do Sporting no futuro, mas vai demorar a ser implementado. Vai de precisar paciência por parte dos adeptos e de muito trabalho por parte dos jogadores. Para se implementar um sistema de jogo são precisos vários factores e tempo. Carvalhal tem de o colocar em prática em competição. E com vitórias será mais fácil... mas elas insistem em não aparecer. Liedson também tem a sua quota de responsabilidade... e ele sabe disso.