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segunda-feira, 15 de março de 2010

Sporting 3 - Guimarães 1: Sarar as feridas,


Liga Sagres - 23ª Jornada

30 minutos a jogar com o Vitória de Guimarães, 60 minutos a pensar no Atlético Madrid. Esta foi, no meu entendimento, a forma como o Sporting encarou mais um jogo da Liga. Em campo tivemos o adversário directo na luta pelo... 4º lugar.

Fui para Alvalade com uma paz de espírito tremenda. O jogo seria evidentemente para ganhar, mas não poderia em momento nenhum claudicar a estratégia montada para a 2ª mão com o Atlético de Madrid já na próxima 5ª feira. Ou seja, lesões ou cansaço físico eram de evitar.

Entrar em Alvalade e encarar finalmente com um tapete quase perfeito dá um ânimo adicional. Assisti ao aquecimento das equipas e fui pensando que, efectivamente o Leão está a sarar as feridas. São muitas... e algumas delas profundamente dolorosas (as feitas pelas goleadas sofridas com os nossos principais rivais, os 4 directores para o futebol, a saída de Paulo Bento são as que ainda doem por estes dias). Mas nada como o tempo, a tranquilidade, a reflexão e o trabalho não curem. E ao ver o estádio encher, com muitos sorrisos no rosto, muitos miúdos, famílias inteiras, pensei onde andava esta onda verde - e ontem por ser o jogo dedicado ás mulheres com garra também pintado de rosa. Um aplauso para o marketing do Sporting que fez uma boa campanha com o resultado de ter conseguido obter uma assistência perto das 40 Mil pessoas.

Ou seja, o ambiente era bom, a tarde tinha sido de muito sol, o relvado em excelentes condições com a previsão de uma boa casa... o jogo só podia ser bom. Um Guimarães muito bem orientado por Paulo Sérgio - um dos poucos treinadores portugueses verdadeiramente tacticamente ofensivos - era o que se esperava, com destaque para um Nuno Assis, que na minha opinião deveria imediatamente regressar a Alvalade. É um grande jogador e a confirmarem-se algumas saídas do plantel, espero que
Costinha tenha na lista das suas preferências este Nuno Assis, que merece, na minha opinião, estar presente no Mundial de África.

Quanto ao Sporting, que depois de 4 jogos positivos e disputados em alta rotação, diametralmente opostos aos praticados na restante época, esperava um tirar o pé do acelerador, gerindo um jogo em função do próximo. Esperava até algumas mexidas no 11 inicial,
possibilitando a alguns jogadores recarregarem baterias para Quinta Feira. Mas enganei-me. Carlos Carvalhal mexeu apenas no essencial - João Pereira por Abel e Saleiro por Pereirinha. Mas o que me surpreendeu foi claramente o sistema apresentado - 4x1x3x2 - exactamente igual ao praticado - e tão criticado - por Paulo Bento. Com automatismos diferentes, é certo, mas com a matriz idêntica à delineada nas últimas 5/6 épocas.

E não é que o Sporting entra a 200 Km/h? Foi a melhor meia hora que vi o Sporting fazer esta época. Simplesmente, cilindrámos o Vitória no primeiro quarto de hora. Ritmo, pressão, jogadas ao primeiro toque, transições defesa ataque nitidamente pré-preparadas e uma eficácia terrível e deliciosa nos pormenores de
Liedson e Saleiro.

Eu vi, um vitória de Guimarães completamente atónito com a atitude empregue pelo Sporting nos primeiros minutos. Vi, aos 20 minutos um Paulo Sérgio em pânico, imaginando uma noite penosa e vi um estádio em delírio com estes 20 minutos. E só pensava... porquê só agora? No momento em que Saleiro marca aquele delicioso 3º golo e via todo o estádio em pé a gritar golo, pensei, o que teria sido este ciclo se pelo meio não tivéssemos tido aquelas 3 semanas penosas de Fevereiro. Enfim... a realidade é esta: hoje o Sporting está nitidamente a sarar as feridas. O Leão, que esteve às portas do coma profundo, fustigado por tudo o que de mal lhe poderia ter acontecido numa só época, lambe agora as feridas fitando no horizonte uma presas com quem tem de ajustar umas contas...

Quanto ao jogo, meia hora de puro futebol espectáculo. À chegada aos 30 minutos, mudança de estratégia. Travagem a fundo e estende-se a passadeira "vermelha" para a entrada de um outro artista de variedades em campo - Bruno Paixão. Ou seja, quando Paulo Sérgio já temia uma goleada histórica - e se não houvesse jogo na quinta provavelmente a vantagem de 3 golos seria certamente dilatada - o Sporting lembrou-se de que na Quinta há jogo e esse sim decisivo. Bruno Paixão, também apanhado de surpresa pela entrada "esfomeada" do Leão, depois da "pancada" entrou finalmente em jogo... e a partir daí, acabou o Sporting X Guimarães e começou o Bruno Paixão X Sporting. Não gosto de comentar arbitragens. Não quero falar de arbitragens. Mas este Bruno Paixão tira-me do sério... colocarem este "
apitador" em Alvalade é uma provocação pura à nossa nação Leonina. Ontem foi... mais uma para a história deste "lampião" nos jogos em que apita em Alvalade. O bom foi ter sido provavelmente o último jogo que ele apitou esta época com a nossa equipa. O mau... é que na próxima época voltará a arbitrar.

Destaque positivo da noite de ontem - o futebol de luxo apresentado pela equipa nos primeiros 30 minutos. Os golos de
Liedson e Saleiro. A forma e saúde física que a equipa respira. Os automatismos que finalmente aparecem nesta época e a veia goleadora da equipa. Não quero individualizar um jogador em especial, pois é o colectivo que está a fazer as minhas delícias nestes recentes jogos. Mas quero dar um destaque pessoal ao Carlos Carvalhal, que continuando a ser o "bombo da festa" de alguns pasquins, demonstra um sentido profissional de louvar e que prova, que a seriedade é, ainda, em alguns homens um sentido de honra. E honra lhe seja feita, estas vitórias são inteiramente da sua responsabilidade. Recuperar uma equipa destroçada pós Paulo Bento, depois destroçada de um ciclo penoso de eliminações, goleadas e derrotas na Liga como o das primeiras 3 semanas de Fevereiro. o escrevi aqui - Carvalhal não é na minha opinião a melhor opção para a próxima época - mas se é o André Vilas boas o escolhido como afirma o Record, prefiro mil vezes o Carvalhal. Mas estarei agradecido ao Carlos Carvalhal por tudo o que está a provar no Sporting. Quinta Feira é para ganhar Carlos!!!

Pela negativa... Miguel Veloso. Pareceu-me nitidamente alheado do jogo, até amuado. Não foi o Miguel Veloso que esta época tem brilhado ao mais alto nível. A sua entrada sobre Rui Miguel, onde levou o Amarelo, é a prova de que ontem não estava em campo. Espero um Miguel e grande na Quinta Feira. De negativo também a gestão das substituições. Com um jogo ganho na primeira parte e um decisivo jogo na próxima quinta feira, Carvalhal teria de ter refrescado a equipa mais cedo. Deixar uma substituição para os 90 minutos... não me faz muito sentido.

Foi um Domingo agradável em Alvalade. Era bom repetir já na Quinta feira. Não vamos entrar com excessiva euforia neste período, pois as feridas ainda estão a sarar. Manter a atitude, determinação e automatismos é essencial.

Para ver e rever o magnífico golo de
Liedson... só ao alcance dos predestinados. Vai ganhando na minha óptica o registo de a figura mais importante da época Leonina.

terça-feira, 9 de março de 2010

Belenenses 0 - Sporting 4: Aperitivo para Madrid



Liga Sagres - 22ª Jornada

Em Belém, o Sporting cumpriu a sua obrigação, vencendo o último classificado, de forma eficaz, com Liedson a marcar pela primeira vez num jogo ao serviço do Sporting 4 golos.

O último jogador que o havia conseguido em Portugal também foi do Sporting e chama-se Carlos Bueño. Lembram-se? 4 golos em 15 minutos contra o Nacional em Alvalade.

Bom, mas relativamente a este jogo há algumas considerações a fazer. Desde logo a forma como a equipa geriu esforço e o jogo desde o apito inicial. Carlos Carvalhal apostou no 11 que lhe deu as 2 vitórias anteriores - Everton e Porto - e apostou também no mesmo sistema táctico dos mesmos 2 jogos. 4x2x3x1, com as peças dispostas da mesma forma. Grimmi, Tonel, Polga e Abel na linha defensiva, Pedro Mendes e Veloso a trinco, Ismailov, Moutinho e Yannick numa linha mais adiantada de moei campo e Liedson na frente... sozinho. Ora, se este sistema proporcionou 2 bons jogos contra 2 equipas que dão espaço e jogam o jogo pelo jogo - o mesmo já havia acontecido contra o Benfica em Alvalade para a Liga - em Belém, provou-se que o Sporting contra clubes que jogam para o pontinho, não pode jogar da mesma maneira, deixando na frente Liedson encaixado no meio de 2 ou 3 centrais mais 2 trincos. É difícil ao Sporting conseguir produzir oportunidades e golos de forma clara e continuada neste sistema.

Carvalhal também percebeu isso e ao intervalo, por força da lesão de Yannick, mudou o esquema e lançou Saleiro em campo.Esta mexida foi suficiente para que as primeiras oportunidades aparecessem logo nos primeiros minutos da 2ª parte. O Golo aparece aos 60 minutos e era uma questão de tempo até surgir o 2º golo. Acabaram por ser 4, de Liedson, sendo um 5º golo mal anulado a João Moutinho, que de calcanhar marcou um grande golo não sancionado. No sistema de 4x1x3x2, o Sporting ganha claramente no jogo ofensivo e vê as possibilidades aumentarem de abrir as defesas contrárias com 2 pontas de lança móveis como são Liedson e Saleiro.

No entanto, retiro deste jogo um facto importante... a frescura psicológica. Isso nota-se nas movimentações individuais, nos gestos dos jogadores e na forma como encaram cada disputa de bola. Até mesmo pela forma como a equipa festejou os golos e a alegria nítida de Liedson inspiram confiança para o que nos resta desta época.

A saída de Ismailov para a entrada de Matias em jogo, foi também positivamente conseguida, uma vez que dando descanso a Ismailov, Matias conseguiu dilacerar ainda mais a já frágil defesa do Belenenses.

3 jogos a marcar golos sem sofrer é positivo. E este jogo foi para mim um aperitivo do que se pode seguir em Madrid nesta quinta feira. Jogo, onde o importante é não sofrer golos, se possível marcar.

A equipa parece ter empurrado para trás das costas o mau momento de Fevereiro e agora parece objectivamente determinada em fazer boa figura na Liga Europa e segurar tranquilamente o... 4º lugar. E para isso será importante ganhar no próximo Domingo ao Vitória de Guimarães.

Carvalhal está com a equipa, apesar de tudo o que se vai dizendo sobre a sua situação em Alvalade e da forma como a SAD tem tratado - supostamente - o dossier da nova equipa técnica.

Notas positivas deste jogo - os 4 golos. Liedson de volta aos golos. Exibição positiva e inteligente, quer na gestão de esforço, quer no controlo do jogo e na minha opinião uma nítida subida de forma de Grimmi e... Abel (quem diria!).

De negativo há a registar a lesão de Yannick, que o impossibilita de ir a Madrid, num jogo onde a sua presença era essencial na manutenção estratégica de Carlos Carvalhal. Quero também dar nota negativa ao facto de não se perceber muito bem o que se passa com a comunicação do Sporting. Não houve desmentido nenhum oficial sobre a capa do Record com André Villas Boas (facto preocupante!). Não vi nenhuma tomada de posição da SAD sobre o assunto (ainda mais preocupante!). Vi uma espécie de "Black Out" não oficial com muitas mensagens nas entrelinhas e algumas delas pouco esclarecedoras. Mas deixo essa reflexão para mais tarde.

O que posso dizer é que, se Bettencourt aprecia tanto o modelo de gestão do Porto, parece entender muito pouco de como se fazem as coisas por lá em casos destes. No Porto, depois de uma capa num jornal com essa provocação, teríamos o presidente ao lado do actual treinador a seguir ao jogo de Belém, oferecendo-lhe a renovação, mesmo que a mesma não se concretizasse no final da época.

Isso é que era de Homem! Mas, vamos ver o que dão os próximos capítulos.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Trofense 0 - Sporting 1 - Uma Cabeçada no Destino.


3ª Jornada da Taça da Liga

7ª vitória consecutiva. Desde 16 de Dezembro que não conhecemos outro resultado.

Liedson, numa semana, marca 3 golos, depois de uma operação ao joelho à 1 mês e está no epicentro de mais um caso que ensombrará a época, sejam os resultados quais forem. De uma coisa não haverá dúvidas: é um futebolista de excepção. O golo marcado ao Trofense confirma que, nada abala a determinação deste jogador.

Culpado ou Vítima, com ou sem razão, Liedson marca um momento actual e conturbado da história do Sporting e, quando se prepara para ser confrontado pela reacção de Sá Pinto e ao mesmo tempo julgado pela massa adepta do mundo Leonino, o Levezinho entra em campo e dá mais um golpe em quem o quer ver longe de Alvalade - principalmente os nossos adversários - marcando mais um golo decisivo que garantiu calmamente o apuramento para a 3ª meia-final consecutiva do Sporting na Carlsberg Cup.

Liedson, aos 32 anos, promete uma 2ª metade do campeonato infernal por forma a... marcar presença no Mundial de África em Junho. Esse é para mim o principal objectivo de Liedson neste momento. Jogando, marcando Golos decisivos no Sporting, vai lançá-lo em definitivo no caminho da Selecção. Contra a vontade de alguns, para felicidade de muitos.

Hoje Sá Pinto veio dar a sua versão dos factos ocorridos após o jogo contra o Mafra. Depois de lido o comunicado, que naturalmente pretende retirar parte da responsabilidade dos acontecimentos a Sá, prejudicando claramente a visão dos Sportinguistas sobre Liedson. Só que Sá Pinto, que reconhece no entanto ter ultrapassado os limites da decência, esquece-se que Liedson já é mais símbolo do Sporting do que ele próprio. Basta para isso analisar os dados estatísticos em número de jogos disputados com a camisola do Sporting e golos marcados.

Liedson, não é nenhum santo. E daí? Querem uma lista de grandes jogadores mundiais que jogaram e jogam por esse mundo que não são nem de longe nem de perto flores que se cheirem. No entanto deram e continuam a dar títulos e alegrias às suas equipas.

Até mesmo em Portugal... longa seria a lista...

Sá Pinto, acredito, terá fechado o assunto com a declaração de hoje. Liedson disse no Domingo que tudo é passado e que só quer estar concentrado na equipa.

Mas há, no seio da família leonina quem não lhe perdoe pelo facto de ter "provocado" inadvertidamente a saída de Sá e por isso vá ainda receber alguns sinais de desagrado e até de alguma hostilidade nos próximos dias. Actos de quem vive o Sporting com emoção a mais e racionalidade a menos. Os próximos 2 jogos - em Braga e nas Antas - podem enterrar de vez este triste episódio - mas não apagarão a sua triste memória - com vitórias, boa exibições e golos do... Levezinho. Assim seja.

Quanto ao jogo na Trofa, à mesma hora de um Inter - Milão (que grande jogo!) levou a um Zapping incomum cá por casa e tive de rever o jogo com calma para conseguir entender alguns apontamentos que a equipa deixou em campo. Pareceu um Sporting tranquilo, sóbrio, sério e disposto a gerir esforço, jogadores e uma vantagem clara que lhe permite ser a melhor equipa até ao momento da Carlsberg Cup. Sem grande stress, chegámos uma vez mais às meias finais da tal Taça que não interessa a ninguém mas que todos querem ganhar... nem que seja com favores de terceiros.

Matias fez uma belíssima 1ª parte e até à sua saída, demonstrou estar mais integrado e em melhor forma fisica. Miguel Veloso e João Pereira voltaram a dar um perfume de um outro Sporting, Moutinho sobe de forma e Liedson uma vez mais... eficaz. Menos efusivos: Adrien - algum cansaço - Saleiro e Pereirinha foram peças descalibradas numa máquina que parece estar perto da afinação ideal para o momento actual. Segue-se Braga para a Liga, já na sexta-feira... o tal jogo em que só a vitória "nos" interessa, mas que ao mesmo tempo vai despertar em nós sensações esquisitas. Para a meia final desta competição teremos em Alvalade ou Académica ou Benfica. Para mim qualquer um serve, sendo que, não me importava de observar de longe uma meia final entre as equipas que marcam pela negativa o momento do futebol nacional. Hoje, alguns amigos encarnados, confessavam-me que se calhar não era boa altura para eles irem ao Dragão. Só por isso, já valia a pena ver o circo pegar fogo. Nada como um bom "túnel" para dar descanso ao nosso "balneário"!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Era Inevitável.



Foi ontem já perto das 2 da manhã que recebi a notícia. Estava praticamente a entrar no sono e chegava via sms o que havia sucedido no pós jogo com o Mafra.

Não há muito para dizer neste momento, uma vez que aguardamos tranquilamente uma comunicação dos responsáveis da SAD e Clube que nos elucide sobre o sucedido.

Muito se escreve e diz sobre este "acidente" mas a verdade é que era inevitável. Uma questão de tempo.

Sá tem um temperamento explosivo. Aliás no dia em que se soube da sua nomeação para director do futebol, escrevi aqui que Sá Pinto ia dar uns murros nas portas e cacifos sempre que as coisas descarrilassem, mas daí até andar à pancada com um dos activos mais valiosos do plantel... vai uma grande distância.

A relação entre Sá Pinto e Liedson nunca foi boa. Recorde-se um célebre penalti em que Sá tirou literalmente a bola das mãos de Liedson para marcar um penalti. O azedume nunca foi ultrapassado e ontem, teve o seu epílogo. Quem tem razão? Julgo que ninguém. Aliás, sempre que violência entra numa discussão de ideias ninguém pode ter razão. Sá, passou-se naturalmente com a displicência de Rui Patrício no lance do 2º golo do Mafra. Honestamente, há algum Sportinguista que não se tenha passado? Mas, o erro faz parte do futebol. Todos erram. O próprio Sá errou muitas vezes. Tinha legitimidade para hoje dirigir algumas palavras ao grupo no sentido de a equipa não facilitar seja em que circunstâncias for.

Mas, optar por individualizar a culpa, ainda por cima para cima de um guarda redes que "salvou" as 2 últimas vitórias do Sporting na Liga com 3 excelentes defesas não é nem nunca será uma boa opção. É natural que os companheiros achassem injusta a forma compulsiva e excessiva das palavras de Sá para Rui Patrício. Foi Liedson quem se chegou à frente na defesa do grupo e do jovem guarda redes e hablitou-se a enfrentar o temperamento violento de Sá. Naqueles segundos... passou de certeza "uma coisinha má" nos olhos de Sá.

Mas, pior ainda é o facto de a frio percebermos que Sá não podia nem devia ter ultrapassado o campo técnico de Carvalhal - que, coitado, não podia de certeza estar a acreditar no que se estava a passar - que sim tinha toda a autoridade para chamar a atenção do jogador pela sua falha.

Sá, ultrapassou uma vez mais o limite e a sua mais que provável saída é inevitável e atira com o jogador para fora do clube pela porta dos fundos. Lamento, que isto tudo aconteça num jogo de "alguma descompressão" justificável dado o número de jogos e a pressão que tem estado sobre a equipa, que apanhando-se a ganhar por 4-1 tirou literalmente o pé do acelerador. Lamento, que este acidente aconteça numa altura em que todos acreditamos numa recuperação saudável da equipa, dos resultados e do ânimo dos adeptos e, 1 dia depois do evento ocorrido na Academia - a sua certificação de qualidade e tudo o que ela significa - que nos deixou a todos orgulhoso.

Ontem às 2 da manhã só me deu para rir... só pensava no masoquismo que tem invadido esta época. Achava até que me estavam a pregar uma partida, mas, a realidade está aí. Mais um caso que mancha a época do Sporting e que trará consequências que ainda não podemos vislumbrar.

Lanço algumas questões: Como vai reagir o plantel a este "acidente"? Como vai lidar Carlos Carvalhal com este momento? O que dirá José Eduardo Bettencourt? O que vai na cabeça de jogadores como Ismailov; Rui Patrício; Moutinho; Veloso; Matias... e do próprio Liedson?

Sá Pinto foi uma vez mais vítima do seu próprio temperamento, o tal que levou Paulo Bento a mantê-lo sempre longe do seu bálneario.

Segue-se mais notícias hoje durante o dia.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Setubal 0 Sporting 2 - Ainda sem a Garra que se exige


Acabou por ser uma noite (in)feliz para as nossas cores, uma vez que somámos uma vitória para a Liga Sagres, algo que já não acontecia desde 20 de Setembro - e hoje é dia 7 de Dezembro! - recuperando assim 2 pontos para o Sporting de Braga, líder acompanhado por Benfica.

Mas foi uma noite que me irritou profundamente durante largos momentos do jogo. A entrada concentrada e segura da equipa que provoca o 1º golo da noite, num processo ofensivo raro - e que assinalei após o jogo com o Heerenveen - sublinhado por um passe de ruptura de Matias Fernandez que isola de forma magnifica Liedson que acaba por disparar ainda fora da área para as redes sadinas, sem hipóteses para Nuno Santos.

Após o golo ocorreram-me 2 raciocínios: 1º - hoje podia ser a noite que daria continuidade ao futebol apresentado contra o Benfica, vendo na garra de Liedson, apetite para vários golos ou 2º - vamos presenciar um jogo igual ao praticado contra os holandeses com a nuance de que na primeira oportunidade marcámos.

Após o final do jogo, que estivemos mais perto do meu 2º raciocínio. Após o golo, caímos na pasmaceira do costume. Muitos passes e trocas de bola na nossa zona defensiva, meio campo pouco esclarecido - apesar de hoje já termos experimentado mais rapidez na circulação de bola, mais vezes ao primeiro toque e um esticar o jogo mais até à linha de fundo. No entanto os centros e os passes para o centro da área foram na sua maioria inconclusivos. E novamente Liedson, a jogar só na linha da frente, demasiado abandonado pelo meio campo quando era necessário pressionar a defesa sadina. Houve 2 momentos de transição defesa/ataque bem desenhados com Ismailov, Matias e Liedson que tiveram o mesmo fim: Liedson trava o contra ataque por não ter apoio, obrigando-se a reter a bola, rodeado por defesas do Vitória até que chegassem os reforços. Há aqui 2 notas: o nosso meio campo é lento na saída para o ataque e Ismailov não tem ritmo, Miguel Veloso não tem velocidade "de ponta" suficiente para imprimir rapidez no contra ataque. Matias, que é quem inicia a transição, obviamente demora mais um pouco a chegar-se à frente.

Mas, o futebol por nós praticado, foi na generalidade lento, preguiçoso, ofensivamente fraco, com poucas oportunidades criadas, criativo em pequenos espaços - nomeadamente nos primeiros minutos da 2ª parte com Pereirinha a enquadrar-se bem nas triangulações clássicas do futebol leonino. Numa avaliação clara, jogámos melhor do que contra os holandeses, pior do que contra o Benfica. Salve-se a eficácia na primeira oportunidade, com Liedson a despertar a sua veia de matador, mas registe-se uma vez mais 3 oportunidades claras de golo falhadas displicentemente: Pereirinha, Matias e Liedson.

A terminar, mais um acto twilight zone com o 2º golo do Sporting marcado num lance simplesmente anedótico. Se fosse este o golo da vitória, eu ficaria muito triste e envergonhado, pois não gosto que o meu Sporting ganhe a qualquer preço. O que percebi da jogada, num primeiro momento o árbitro assistente assinala fora de jogo de Liedson, mas no momento seguinte - após Liedson não se fazer à bola - deixa prosseguir o jogo. O guarda redes sadino, não repara que o jogo continua, deixa inclusive a bola passar a linha de fundo, e faz um passe displicente para o meio do terreno onde surge Liedson - sublinhe-se a atenção e tenacidade do levezinho - a captar a bola e a rematar para o fundo das redes sob o olhar incrédulo de Nuno Santos e de todos aqueles que estavam no Bonfim - que estádio mais desconfortável - estava feito o 2º da noite... digno de constar nos lances caricatos da época. Elmano Santos não será responsável, mas fica marcado por mais um momento infeliz do seu assistente. Espero não ter que assistir a mais lances penosos destes com o nosso Sporting, a favor ou contra.

Rui Patrício - fez uma defesa extraordinária e demonstrou estar a crescer como guarda redes. Hoje mais calmo, ainda assim... continua lento e indeciso em lançar a bola na frente na perspectiva do contra ataque rápido.

Abel - pouca intervenção defensiva e ofensiva mas mais concentrado e menos disparatado no passe.

Polga e Carriço - mais sintonizados a defender, mais empenhados em organizar o primeiro movimento ofensivo, mas inofensivos nos nossos lances ofensivos após marcação de cantos e livres.

Caneira - Equilibra a defesa, mas continua ainda longe do ritmo necessário para construção de lances ofensivos. Para mim... tem dificuldades em construir com Veloso. Falta mecanismos na ala esquerda.

Adrien - ainda continua com uma percentagem elevada de passes errados, lances disparatados e remates sem nexo. De positivo, o facto de encher o meio campo defensivo de forma destemida e limpa.

Moutinho - parece querer ser novamente o jogador que quer encher o campo. Mais confiante, mais disposto a ir no 1 para 1 e a querer dar criatividade aos homens que tem à sua frente no meio campo. Falta o toque de génio que tem nos pés.

Miguel Veloso - demasiado preso à linha lateral no corredor esquerdo, sem grande entrosamento com Caneira e invariavelmente com sentido defensivo. Bom sentido de baliza na meia distancia.

Matias - Passe de ruptura fantástico que criou a primeira oportunidade de golo concretizada. Percorre o caminho de quem a médio prazo será o construtor de jogo no último terço do terreno. Falta-lhe espaço. Devia arriscar mais no lance individual de olhos postos na baliza adversária.

Ismailov - Dá outra estrutura o futebol do Sporting. Mas, acho que é demasiado cedo para lhe entregarem a missão de resolver todos os problemas do jogo leonino.

Liedson - marcou na primeira oportunidade. Será que foi o despertar para os golos? Foi no resto do jogo, bastante desastrado e desconcentrado até ao momento do... 2º golo. No flash Interview disse... banalidades.

Pereirinha - muito útil até ao momento em que falha incrivelmente um lance de golo claro. Desapareceu a partir da aí.

Postiga - tentou, lutou... mas continua em branco.

Saleiro - Não tenho a certeza se chegou a tocar na bola e a efectuar um passe que se visse.

Saldam-se os 3 pontos e pela frente mais uma semana de trabalho para Carvalhal continuar o seu plano de evolução do novo figurino do futebol do Sporting. Sábado às 17h teremos os resultados de mais trabalho. Teremos evolução?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Ainda sobre Liedson e as suas palavras pós Heerenveen


Não compreendo o frenesim da comunicação social sobre as palavras de Liedson após o jogo do Sporting contra os holandeses do Heereveen. Liedson disse o que sentia e o que provavelmente todo o mundo leonino, inclusivamente o treinador, sentiu depois do jogo com Benfica e novamente no jogo da Liga Europa.

Não senti que Liedson estivesse a colocar tudo e todos em causa. Senti sim que o avançado está visivelmente preocupado por não fazer golos, não contribuindo assim para a recuperação e sucesso da equipa.

Liedson teve 2 oportunidades. Ambas, em condições normais, seriam golo certo. Falhou, quanto a mim de forma displicente. Má forma? Liedson reconhece nas suas palavras que sim. E de forma consciente disse, que colocava o seu lugar à disposição do treinador. Parece-me coerente com o discurso de Liedson. Disse ainda que com este sistema torna-se mais difícil chegar ao golo, porque joga sem apoio. E tem razão. Julgo que todos lhe darão razão também. Até mesmo Carvalhal.

Agora transformar estas palavras no caso da semana Leonina é que me parece completamente despropositado. Em praticamente todos os os flash interview os jogadores dizem banalidades, frases feitas e lugares comuns. São, gozados a torto e a direito, por o fazerem. É certo que muitos jogadores também não têm vocabulário para mais. Mas Liedson, foi igual a ele próprio. Fez a análise do jogo, foi transparente nas palavras e nos sentimentos que transmitiu e reconheceu quais as dificuldades que sente no actual momento. Não contestou ninguém, não colocou o treinador em cheque, não foi injusto para os companheiros... foi apenas realista.

A comunicação social pega nesta honestidade de Liedson e torna-a no caso da semana. Porquê? Com que objectivo? Provavelmente não têm mais assunto e Liedson pôs-se a jeito. Da próxima, Liedson fará o que os comuns jogadores fazem naquelas circunstancias: dirá banalidades.

Fica no entanto a minha observação: Liedson tem razão. Jogar abandonado na frente não é - nem poderá ser - a matriz de jogo deste novo sistema. Carvalhal terá com certeza isso bem presente na sua concepção técnica e táctica e terá de trabalhar rapidamente o seu 4x2x3x1 na sua forma ofensiva. Insisto que este sistema, será o que mais beneficiará o futebol do Sporting no futuro, mas vai demorar a ser implementado. Vai de precisar paciência por parte dos adeptos e de muito trabalho por parte dos jogadores. Para se implementar um sistema de jogo são precisos vários factores e tempo. Carvalhal tem de o colocar em prática em competição. E com vitórias será mais fácil... mas elas insistem em não aparecer. Liedson também tem a sua quota de responsabilidade... e ele sabe disso.