domingo, 28 de fevereiro de 2010

Sporting 3 - Everton 0: Sem Espinhas!



Liga Europa - 16 Avos - 2ª Mão

O que aconteceu na passada quinta feira em Alvalade foi para a Nação Leonina o lavar a alma de tanta tristeza com que este mês de Fevereiro nos brindou. Foi, em toda a sua extensão, a razão pela qual amamos o nosso clube. Mas foi, também, mais uma peça intrigante no puzzle de uma época verdadeiramente confusa.

Eu sei que enaltecer a vitória, a passagem à eliminatória seguinte e sobretudo a belíssima exibição foi, depois de quinta feira, um reerguer do orgulho Leonino, que com tão baixa auto estima tem vivido os dias negros de um Inverno futebolístico que já vai longo demais. Mas importa reflectir sobre o acontecer de forma fria e concisa, pois, uma jogatana daquelas não pode ficar só à mercê de elogios e eloquentes discursos que tentam beatificar agora um plantel que... depois dos 90 minutos contra os ingleses continua a ser... o mesmo.

Antes de partir para a análise do jogo e do que ele representou deixem-me sublinhar que para além das vitórias sobre os nossos eternos rivais, são as vitórias sobre as equipas inglesas que me fazem vibrar mais. Ainda hoje quando revejo por exemplo o célebre jogo de Portugal contra a Inglaterra no Euro 2000 ou no Euro 2004 ou até mesmo no Mundial de 2006, invade-me a alma uma torrentes de emoções difíceis de descrever. E claro na célebre caminhada do Sporting para a final da UEFA onde derrubámos um Newcastle e um Birmigham... enfim, outras noites.

Quanto à análise do jogo, começo por registar que uma vez mais Carvalhal entra num jogo com cautelas defensivas, apostando no esquema que é mais do seu agrado - 4x2x3x1. Grimmi, Tonel, Carriço e Abel na linha defensiva; Pedro Mendes e Miguel Veloso num duplo trinco, Ismailov e Moutinho na frente dos trincos, preenchendo os corredores laterais do meio campo e Moutinho em trabalho de apoio claro a Liedson, trocando ora com Yannick, ora com Ismailov o dentro de meio campo ofensivo do Sporting.

Compreendo esta linha, onde Carvalhal quis mais solidez defensiva principalmente na zona de meia distancia onde os ingleses normalmente costumam "disparar" em direcção à baliza. Mas, depressa percebemos que este esquema táctico não fazia muito sentido. Por 2 razões: primeiro porque o Everton entra em campo a jogar com o resultado obtido em Inglaterra e disposto a esperar para ver. Depois porque Pedro Mendes foi dando e sobrando para as encomendas. O primeiro remate à baliza do Sporting efectuado pela equipa inglesa só aconteceu muito depois do minuto 50. Ou seja, Rui Patrício na primeira parte foi um mero espectador.

Miguel Veloso começou a subir no terreno libertando Ismailov e Yannick das suas obrigações defensivas quando a equipa não tinha a bola em seu poder e facilmente se percebeu que o Sporting passou rapidamente para um sistema 4x1x3x2 com Yannick com ordem para transportar jogo e provocar desiquilibrios defensivos ao Everton. O livre apontado por João Moutinho que levou a bola a embater na trave da baliza inglesa na primeira parte foi a ocasião mais clara de golo, embora a construção de oportunidades fosse constante em toda a primeira parte onde só deu... Sporting. O Everto foi completamente dominado por um Sporting que, para minha grande surpresa, teve pulmão, respirou concentração, praticamente não falhou um passe e pressionou bastante alto, não dando espaço à equipa inglesa quando não estava na posse da bola. Ao contrário, os ingleses, muito ao seus estilo deram todo o espaço do mundo ao Sporting que, numa forma normal, nunca teria perdido o jogo em Liverpool.

Na 2ª parte, tudo correu de feição. 3 golos, sem espinhas. Muita determinação. Muita garra. Concentração e processos simples e perfeitos de ataque e de recuperação de bola. David Moyes ainda deve estar a perguntar-se agora como foi possível e que equipa andaram os seus observadores a seguir nos jogos destinados à "espionagem" táctica.

Carvalhal, desta vez leu bem o jogo em 2 substituições. Trocou Grimmi por Saleiro, remetendo Miguel Veloso para lateral esquerdo com ordem para subir no terreno - o que originou o 1º golo da noite numa triangulação entre Yannick, Saleiro e finalização de Veloso que começo a jogada. Depois tira Ismailov para a entrada de Matias com o jogo já em 2-0 e... borrou a pintura na substituição de Liedson por Polga. Como é que é possível??? Estávamos no minuto 90. Faltam 3 minutos para o jogo terminar e tiramos Liedson para colocar um central. E se os ingleses, às 3 tabelas, marcassem um golo nesses 3 minutos? E se fossemos para prolongamento??? Jogávamos sem Liedson? Só com Saleiro e Yannick, já algo desgastado, na frente? Enfim, felizmente... depois dessa substituição, após um momento de grande confusão na nossa zona defensiva, fechámos o jogo com chave de ouro, onde Matias finaliza com o 3º golo uma jogada de puro contra ataque.

Onde estava estava este Sporting?

Alguém me sabe responder?

Depois desta jogatana, alguém me explica a razão pela qual se justifica a miséria de exibições que tem pautado a nossa época? Porque razão de um momento para o outro, uma orquestra ultra desafinada, de repente aparece afinadíssima? Os jogadores são os mesmos, o treinador é o mesmo, a bola é a mesma... o que significou afinal este jogo? Como se explica agora as péssimas exibições e as humilhações em catadupla que temos sofrido?

Ou tudo não passou de uma "one night stand"? Inspirada por meia dúzia de olheiros de alguns dos clubes mais importantes europeus que seguiam nas bancadas as incidências do jogo.

Numa época normal, este teria sido um jogo normal, um resultado normal. Mas, no meio da anormalidade que tem marcado esta época, o facto deste jogo ter decorrido daquela maneira levanta ainda mais questões sobre o que realmente se tem passado no futebol profissional do Sporting. Estou intrigado e quero seguir atentamente qual o verdadeiro resultado do impacto exibicional e motivacional pela eliminatória ganha a uma equipa inglesa que em 2 semanas aviou o Chelsea e o Manchester United... o que só reforça a minha certeza: o futebol não tem lógica.

Quero destacar pela positiva antes de tudo mais... pela qualidade do relvado. Finalmente!!! Finalmente há tapete ou coisa que se pareça com um tapete para a prática do futebol. É que parece que não, mas ajuda... e muito. Será possível melhorar o - agora sim - relvado por forma a que no início da próxima época esteja na condição perfeita?

Depois, destacar a enorme exibição de Pedro Mendes. Fiquei rendido ao futebol deste rapaz que - agora também sim - me faz render quanto aos motivos pelos quais se apostou na sua contratação.Pedro Mendes, 31 anos, é um belíssimo jogador que me faz recordar e muito Paulo Sousa. Falta-lhe o passe de longa distância, que Paulo Sousa fazia com mestria, mas é um jogador que traz dimensão cerebral ao meio campo do Sporting. A seguir com atenção nas próximas jornadas e... desejar que não hajam lesões para que inicie a próxima época na máxima força - se bem que estará com certeza ao serviço da selecção no Mundial de África. O seu golo é a cereja no topo do bolo.

Positiva também a exibição de Yannick que mexeu com a velocidade e transporte de bola, algo que tem faltado ao Sporting nesta época. Espero que o rapaz desperte mesmo para exibições claramente positivas de forma a justificar a sua manutenção no plantel - dado que ainda não dou como adquirido.

Ismailov, Moutinho e Miguel Veloso fecham os meus destaques. Jogaram ao seu nível médio e isso chega para fazer a diferença. Veloso marca 2 golos nesta eliminatória aos ingleses e aguça ainda mais o interesse de várias equipas britânicas... mas ao que me dizem o seu destino está traçado.

Pela negativa, sublinho uma vez mais a estúpida substituição de Liedson num momento em que poderia ter comprometido as nossas chances caso os ingleses marcassem - como é seu hábito - no último minuto e nos obrigassem a ir a prolongamento. De negativo também - mas ao mesmo tempo justificável . a fraca assistência. 17 mil pessoas em Alvalade - das quais 3 mil eram inglesas - é muito pouco para um jogo europeu. Dos resumos que vi da Liga Europa, ver o Alvalade XXI praticamente vazio ao pé das enchentes registadas em quase todos os outros estádios é triste... mas desta vez a responsabilidade está claramente do lado dos jogadores. Fizessem eles um jogo idêntico com FC Porto para a Taça e contra o SL Benfica para a meia final da Taça da Liga e o estádio estaria com certeza perto de estar cheio. Espero que eles compreendam que são eles que nos têm de convencer a ir ao estádio, não somos nós com a ida ao estádio que os temos de convencer a jogarem daquela maneira.

A finalizar, uma frase infeliz de Tonel já à saída do estádio, onde refere que o Sporting e a equipa têm sido "achincalhados". Meu amigo Tonel... têm sido por vossa única e exclusiva responsabilidade. Vocês têm de jogar sempre é de forma a não serem sequer beliscados quanto mais "achincalhados".

Já falei aqui também do despropósito que foi o anuncio efectuado sobre a contratação de Costinha antes da realização do jogo. Caso a coisa tivesse corrido mal... era uma entrada má. Deveria sim, ter sido anunciado após o jogo. Caso o resultado fosse o contrário, nada o "ligaria" a esse ciclo - assim como nada o liga ao sucesso obtido - de forma a proteger. Mas pronto, até isso correu bem. Mas da mesma forma que Carvalhal se precipitou na substituição de Liedson, Bettencourt precipitou-se no anuncio de Costinha. Para variar desta vez tudo lhes correu bem... mas fica a nota de algum "amadorismo a ambos".

A terminar... soprou-me ao ouvido que já há um treinador a preparar a próxima época... e a confirmar-se o rumor será uma grande notícia e com dedo do Costinha. Para já fico-me como São Tomé... ver para crer!!!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Costinha... a Medida Sensata.

Quando recebi a notícia de que iam surgir novidades sobre o futuro do futebol profissional do Sporting, por acaso no mesmo dia em que Costinha se desvinculou do Atalanta, houve em mim a tentação de perceber se não havia ligação entre os 2 eventos. Mas, pensei sempre que seria ousado demais pensar que, Costinha poderia estar a dias de se transformar numa peça fundamental na estrutura do Sporting.

Pensei sempre que as ditas novidades fossem mais para a área técnica e para a futura contratação e venda de jogadores - o que ainda pode vir a acontecer. Mas, ontem depois de almoço fui brindado com esta agradável notícia. Costinha estava a caminho de ser o futuro Director para o Futebol do Sporting.

Uma escolha sensata anunciada num mau timming... poderia ter sido anunciada após o jogo de ontem, facto que teria uma maior e melhor impacto. O anuncio horas antes de um jogo com a importância do de ontem e com os riscos de termos sido eliminados poderiam manchar logo à nascença uma solução que - tendo também os seus riscos - tem de entrar desde hoje no trilho certo de evolução.

Não sejamos ingénuos. Costinha deixou "ontem" os relvados. Experiência num cargo directivo é nulo. Mas dá-me algum conforto saber que a personalidade de Costinha encaixa dentro do perfil que sempre imaginei para um director para o futebol profissional.

Tem um currículo como futebolista invejável. Ganhou tudo o que havia para ganhar ao serviço dos seus clubes. Foi sempre respeitado. Quer pela imprensa, quer pelos jogadores e técnicos colegas e adversários e foi uma referência na selecção nacional. Tem um discurso elaborado, conhecimento da realidade futebolistica internacional e é, para todos os efeitos, dono de uma imagem elegante e trabalhada no sentido de deixar uma marca positiva perante todos os que contactarem com ele. Em cima disso, some-se o seu conhecimento profundo do que deve ser um balneário vencedor - algo que faltava a Sá Pinto e até mesmo a Barbosa - apoiado por uma estrutura presidencialista.

E é para aí, julgo, que efectivamente o actual Sporting caminha. Ou seja, não está a ser em vão, o discurso de Bettencourt, que recaí sobre o desejo cada vez mais presente de uma estrutura no clube idêntica à do FC Porto.

É o caminho certo? Tenho de reflectir para encontrar uma resposta consistente. Mas é um caminho. Uma dupla formada por José Eduardo Bettencourt e Costinha dará resultados? A curto prazo... é difícil, ambos estão a caminhar em terrenos desconhecidos. Têm uma ideia do que querem, mas na prática ainda estão longe de a concretizar. O FC Porto não se transformou numa estrutura avassaladoramente vencedora de um dia para o outro - e se tivermos em conta que contaram com "ajudas extra" o balanço ainda é mais difícil, pois desejo que apesar de Bettencourt caminhar para um centralismo de poder no clube, espero que não use os meandros subterrâneos para nos colocar na rota dos títulos.

Em resumo, gosto da escolha de Costinha. Julgo mesmo que terá sido muito bem recebido pelo actual plantel. Vamos dar tempo e paciência para que Costinha chegue onde ainda nenhum outro no Sporting chegou. Desde sempre assumiu o seu fervor clubístico pelo Sporting. Nunca teve oportunidade de jogar pelo clube. Mas tem agora a tarefa ainda mais desafiante de fazer história pelo clube.

Seja bem vindo e que ponha rapidamente em prática os seus conhecimentos. Que faça uso claro e conciso da sua alcunha: o Ministro!

Marat Ismailov... Sangue de Leão.


Antes de adormecer, uma notícia que me deixa muito feliz. Marat Ismailov recusou a proposta do Locomotiv assumindo a sua pretensão de cumprir o seu contrato com o Sporting até 2012 / 2013.

Contra todas as expectativas e para desgosto da imprensa, que salivavam para confirmar a saída do melhor jogador do Sporting, o Russo optou por ficar.

Depois de uma lesão grave, que ainda chegou a diagnosticar um fim prematuro em alta competição, Ismailov recuperou durante 7 meses com um trabalho paciente e com acompanhamento permanente do departamento médico do Sporting que lhe salvou a carreira.

Será esse agradecimento que Ismailov faz com este gesto, em tudo nobre e dignificante de um dos jogadores que mais respeito na história actual do Sporting. Ele sim, o simbolo que deve servir de modelo, para as aspirações futuras do nosso clube.

Domingo lá estarei para te aplaudir de pé. És grande Marat!

Posted by Coração de Leão

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A minha Alma Leonina está Parva!!



Vou só ali rever o jogo, já volto. É que há tanto tempo não via um jogo assim do Sporting que tenho de saborear novamente esta hora e meia.

The Final Cut?



Teremos hoje o epílogo de uma época? O fim de um pesadelo já longo e que nos marcará a todos durante os próximos anos? Será hoje desligada a máquina que mantém a equipa "viva" ainda no que resta da época?

Não sei. Não tenho nenhum "feeling". Nem positivo, nem negativo. Olho para as declarações de Carlos Carvalhal e não encontro, no meio de um discurso bem elaborado, aquela Garra que pode transformar o balneário num antro de determinação e querer.

Olho também para as declarações dos jogadores e encontro o mesmo raciocínio. Mas... falta a alma. Provavelmente não quererão subir em demasia as expectativas dos adeptos, porque também sabem que... a sua própria falta de crença nas suas capacidades não os ajuda a assumir por completo a tal determinação em lutar pela eliminatória.

Fico triste por saber que hoje o estádio estará com 15, 20 mil pessoas na melhor das hipóteses. Triste, mas compreendo. A falta de fé afasta dia após dia os fãs, os sócios, os adeptos da equipa que, hoje, tal como eu, na sua maioria desconfia do que poderá vir a acontecer no jogo com o Everton. Noutras noites não havia chuva, vento ou tempestade que nos impedisse de encher o Estádio e criar o clima de um autêntico covil de Leões esfomeados.

Volto a repetir que, sobre o jogo de hoje não tenho expectativas nenhumas. Se formos eliminados, terei esse facto como inevitável e fatal para o fim da época - hoje, dia 25 de Fevereiro,a 2meses e meio do final da temporada - e se ganharmos aos Ingleses, fico feliz, mas longe do sentimento que teria se a época tivesses outros contornos mais vencedores.

Não sei que 11 e que sistema Carlos Carvalhal hoje apresentará em Alvalade, o que é muito bom e deveras aliciante para todos aqueles que passaram o último ano e meio a dizer que Paulo Bento jogava sempre da mesma maneira.

Num exercício penoso de tentar construir uma equipa, uma abordagem ao jogo com um sistema que funcione, contra um Everton altamente moralizado, aqui vai o que eu penso:

Na baliza... Rui Patrício. Na esquerda Miguel Veloso, ao meio Carriço e Tonel, na direita... Pereirinha. A trinco, Pedro Mendes. Na linha do meio campo, mais encostado à esquerda Ismailov e na Direita Moutinho. Ao centro e próximo dos pontas de lança, Matias Fernandez. Na frente Vukcevic e Liedson.

Este seria o meu 11, alinhado claramente num 4x1x3x2mas claramente em Losangulo, o único sistema que a equipa conhece de olhos fechados. É lógico que Carvalhal nunca colocará esta equipa e provavelmente este sistema. Está no seu direito. Com certeza que irá montar o "seu" melhor 11 e o seu melhor sistema.

Não tenho nenhum "feeling" para logo mais, mas desejo a vitória do Sporting que nos permita ir aos Oitavos de Final da Liga. Atenção que só a vitória por 1-0 ou por mais de 2 golos é que nos dará a passagem. Um 3-2 será fatal para as nossas aspirações.

No meio desta maré negra que atravessa o nosso espírito Leonino, eu tive um sonho.... Sonhei que este ano o Braga era Campeão Nacional e que ganha a Taça de Portugal. Que o FC Porto Ganha a Taça da Liga e o Sporting Ganha a Liga Europa. Ao menos sonhei! Será que esta noite poderei continuar a sonhá-lo ou... desligo a máquina?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Salema... um dia quer ser Presidente do Sporting.

Tem piada. Eu também. Alias, fica aqui registado para memória futura de que no dia em que Salema Garção anunciar uma candidatura à Presidência do Sporting Clube de Portugal, eu anunciarei a minha ao mesmo cargo para as mesmas eleições. Eu e, espero, mais uns milhares de sócios.

A pergunta mais recorrente que me têm feito nas últimas semanas é - Quem é este Miguel Salema Garção?

Do pouco que sei, trata-se de um sócio do Sporting - número 10 184 como orgulhosamente gosta de ostentar - um dos fundadores(?) da Juventude Leonina e que hoje ocupa um, aliás vários, cargos na estrutura - qual estrutura? - directiva, para várias áreas... nomeadamente o futebol - team manager e director do futebol. Diz que dorme com os jogadores, que sonha ser presidente do clube e que tem capacidade para exercer vários cargos ao mesmo tempo.

Disse em tempos apoiar essa ideia peregrina da criação de uma Liga Ibérica. Sugerida sabem por quem? Rui Pedro Soares! Esse mesmo, o ex-administrador da PT envolvido nas escutas do face oculta. Salema, afirmou nessa altura sobre a ideia de Rui Pedro Soares, que "Se o futebol português quiser crescer o caminho é por aí".

Discurso lógico, se pensarmos que Salema, que trabalhou para os CTT e foi corretor de Seguros, viveu em Espanha durante 1 ano, trabalhando na Seguradora AON, de onde diz guardar gratas recordações.

Salema, disse ainda em Setembro passado que o Sporting está "...no trilho certo" - o que conferindo sobre o que tem acontecido nos últimos meses só prova que o homem tem uma excelente visão.

Também dá "bitaites" sobre relvados e no dia a seguir à penosa derrota contra o SLB na meia final da Taça da Liga veio dizer que tem toda a confiança no treinador Carlos Carvalhal. Pergunto, algum dia, algum Sportinguista sonhou ouvir um dirigente dizer o que disse Salema sobre Carvalhal depois de num espaço de 8 dias! o nosso clube ter sido goleado copiosamente frente aos 2 nossos eternos rivais?
Quem é... Miguel Salema Garção? Não sei. Sei apenas que está sempre pronto a falar aos microfones de tv´s e rádios, e fez um percurso no Sporting digno de um génio. Da Juve Leo para o Banco como director do futebol, exercendo mais umas 4 ou 5 funções - entre as quais a de Director do Jornal Sporting que nem vou comentar - e que pelo caminho que leva, terá como mérito neste nosso clube de ser o tal de quem estamos sempre a falar... "o último a sair apaga a Luz".

Pergunto a quem vive o dia a dia da Juve Leo se é Salema Garção um dos modelos a seguir no clube? Não devia ser a ele que se referiam as tarjas de "Vassourada" "Só Querem Tachos" "Rua" etc, etc, que brindaram os jogos do Sporting no Outono passado, pois não?

Quem é Miguel Salema Garção? Who cares!

Sei o que não é: solução para o futuro do Sporting. E se lhe passar pela cabeça em candidatar-se à presidência do clube caso Bettencourt desista, juro que me terá como adversário. Eu... e mais uns milhares de sócios também candidatos à presidência.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O Orfanato.


O futebol profissional do Sporting Clube de Portugal está transformado num profundo e deprimente orfanato. Esta é a realidade em que caiu o clube na última década e meia, disfarçado pela conquista de 2 títulos nacionais, alguns troféus, uma final da Taça UEFA, um estádio novo e um centro de estágio também novo. Mas em abono da verdade... espremidos 15 anos de um novo ciclo de Sporting - iniciado com o legado de José Roquette e Pedro Santana Lopes - chegámos à conclusão que muito pouco se fez - não de forma literal - para transformar o futebol do Sporting numa potência futebolística de acordo com os seus pergaminhos.

Ao contrário, aumentámos um passivo de forma amadora, transformámos o Sporting num grupo de empresas, vendemos património, ficámos dependentes dos amuos e inseguranças da banca e... queimámos, oportunidades atrás de oportunidades, de nas épocas menos boas dos nossos adversários, tomarmos a liderança absoluta das competições nacionais profissionais, dando poder interno a quem pouco ou nada entende de futebol, ou a quem liderou o Sporting da forma politicamente correcta - o que também não nos fez ganhar mais por isso - mas pouco apaixonada e muito longe do balneário.

Destes 15 anos sobra muito pouco. Muito pouco em prol do crescimento futebolístico, muito pouco em termos estratégicos, muito pouco no engrandecimento da notoriedade e respeito pelos jogadores e história do futebol do Sporting.

E em que ponto nos encontramos hoje? Exactamente! Estamos órfãos... De quê? De tudo. De orgulho. De paixão. De respeito. De notoriedade. De riqueza. De títulos. De projecto, estratégias e recursos. De raça, querer e força. De competência. De verdade. De qualidade em todos os sectores. Estamos órfãos... de liderança e união. Estamos órfãos tacticamente. Estamos órfãos de união e vontade de unir. De objectivos e soluções. De alegrias. De lotações esgotadas. De noites memoráveis. Estamos órfãos de um losângulo, de um rectangulo e de um triângulo... e por isso digo que actualmente somos um profundo e deprimente orfanato.

E temos um plantel órfão de ideias, ambição e garra. Paulo Bento, representou enquanto pode o papel de padrasto - e de fita adesiva - de um clube que sempre esteve mais próximo da actual realidade do que a que ele conseguiu disfarçar.

Chegámos a um nível onde, do meu ponto de vista, podemos ser despromovidos de orfanato a asilo e daí a hospício é um salto (embora em alguns sectores o ambiente já roça o de puro manicómio).

Por estes dias chove desalmadamente. Troveja continuamente... imagino por Alvalade um silêncio sepulcral pelos corredores, onde pairam algumas almas penadas e zombies sem consciência e sem rumo. Aqui e ali, as ratazanas que por lá restam, catando pelos cantos, restos de festins ocasionais perdidos no tempo. Ou seja... o típico ambiente de uma instituição órfã de si mesma.

Haverá no horizonte algum rasgo de esperança? Alguém que ponha cobro a este trágico destino? Que termine de vez com a política zero no nosso futebol? Que recupere e coloque o Sporting de onde ele nunca deveria ter saído? Dizem-me que vou ter a resposta dentro de poucas semanas. Será a que eu quero ouvir? Aguardo... mas a minha baixa estima actual não me dá grande entusiasmo.

Na próxima quinta feira lá estarei. Órfão de fé...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Olhanense 0 - Sporting 0: Cumprir Calendário.



Jogo da 20ª Jornada da Liga Sagres

Tem sido penoso escrever uma análise fria e correcta dos últimos jogos do Sporting. Faltam 10 Jornadas para acabar o tormento a que se destinou a época 2009 / 2010.

Hoje, novo empate, 7º jogo consecutivo sem conhecer o sabor da vitória - e é preciso recuar até à década de 60 para encontrar uma série tão negra como a actual - e a continuidade de um mês de Fevereiro que arrasa com qualquer fé leonina.

O jogo de hoje, foi mau, como tem sido habitual. Foi, praticamente, tirado a papel químico do que haviamos feito em Paços de Ferreira. Jogar para cumprir calendário, numa Liga onde o melhor que podemos aspirar é a manutenção do 4º lugar. Um jogo, onde poupámos Moutinho, Ismailov, Pongolle, com João Pereira castigado e Vuk, escondido no banco - como tem sido hábito nas últimas semanas.

Uma entrada pouco determinada, com a equipa... apenas a fazer figura de corpo presente, numa noite, ainda por cima, presenteada com um temporal de chuva e vento, que transformou mais um jogo de futebol em 2 horas de tortura para que ama este jogo. Valha como consolo a Sport TV e a oportunidade de acompanhar outros jogos, outras equipas... outros futebois. Zapando para a RTP 1 para acompanhar o jogo, é ter a certeza que dali só vai dar uma coisa: depressão!

Carlos Carvalhal, faz o que pode. Coloca desta vez Yannick no 11 inicial, jogando atrás de Liedson - que na minha opinião também deveria ter descansado - e Saleiro. Veloso e Matias jogaram um pouco mais recuados. Pedro Mendes a trinco - está na minha opinião a dar os primeiros sinais de que a sua contratação faz algum sentido - à frente de Tonel e Carriço - que hoje estiveram em sintonia - e Com Grimmi à esquerda da defesa e... Abel no corredor direito, em mais uma noite de franca desinspiração. Rui Patrício, mostrou que quer apagar a má imagem que deixou nos últimos jogos, mas já vai tarde demais. Tem na quinta feira de manter a mesma atitude, mas sei que é melhor não ganhar ilusões.

Tacticamente... o Sporting não existe. É um grupo de rapazes que se junta para jogar à bola. Movimentações confusas, passes inúteis, pontapés para a frente. Nenhuma jogada com princípio, meio e fim. E nota-se claramente que Carlos Carvalhal não vê - ou não sabe ver - o jogo. Não mexe, não corrige. Deixa o jogo decorrer à sua sorte - ou azar - com as incidências de uma equipa que merecia era já encostar à boxe e preparar o futuro. A cada jogo que passa, sinto, que Carlos Carvalhal não é único responsável pelo actual estado das coisas, mas nos 90 minutos de jogo, é o responsável pelo mau futebol apresentado.

Não tenho hoje nenhum destaque positivo a fazer, a não ser o facto de não termos sofrido qualquer golo. Destaque pela negativa... ausência de motivação, em lutar contra a pior série da história do Sporting - e para isso basta não ganhar ao Everton e ao FC Porto.

É triste... mas é a mais pura das realidades. Estamos futebolisticamente falidos. O silêncio de todos aqueles que tanto fizeram para "expulsar" Paulo Bento de Alvalade é a vergonha de uma facção que destrói o Sporting aos poucos. Esta é a factura que voltamos a pagar, depois do circo montado para correr com alguém que pelo menos tinha uma idea para o futebol do Sporting. Uns dirão que foi ele que nos colocou aqui. Outros dirão, que foi a sua saída que nos empurrou para aqui. A ferida continua aberta e com certeza ainda vai deitar muito sangue... e não vejo ninguém - a começar pelo presidente - que faça o possível para a estancar. Haverá forças para dar a volta a curto prazo? Não sei. Para já resta reflectir sobre o significado da era que vivemos, dos erros cometidos, lamber todas feridas abertas e aguardar pelo próximo passo. Veremos na quinta feira contra o Everton, se podemos pelo menos, alcançar um objectivo simples: a vitória!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Qual a visão de Bettencourt para o Sporting?


Neste momento... não sei que visão José Eduardo Bettencourt tem para o Sporting. E isso assusta-me, pois, do que que tenho observado, fico com a impressão - e com certeza não serei o único - que o Sporting é um clube sem alma, rumo e projecto neste momento.

Pintado com uma das piores - se não mesmo a pior - época futebolística de que há memória, o primeiro ano de mandato de Bettencourt não está à altura dos pergaminhos e grandeza do Sporting.

Mas se os resultados no campo de jogos são de facto o espelho de como está a correr a presidência de Bettencourt, as suas mensagens para o exterior agravam ainda mais a sua condição.

Não quero para já recorrer exaustivamente ao que de muito mau temos assistido, dia após dia, no mandato de Bettencourt - que darão futuros dolorosos posts - apenas centrando-me agora num exercício de colocar-me na pele do Presidente no actual momento. Em que pensará Bettencourt no momento em que escrevo estas palavras? O que pensará ele, de manhã, quando acorda e se olha ao espelho? Quando aquece o café da manhã? Quando mete a chave na ignição do automóvel e se mete a caminho de Alvalade... ou de Alcochete? Em que pensa este homem sempre que está 1 ou 2 minutos sozinho? Estará arrependido de ter aceite candidatar-se à presidência do clube? Pergunta-se se tem condições para continuar? Olha à sua volta e confia nos que o rodeiam? Faz o "mea culpa" interior, mas exteriormente continua a disparar em todos os sentidos? Será que Bettencourt estará a ponderar se tem "unhas para tocar esta guitarra"?

É que, dificilmente o homem fugirá, nos seus pensamentos, a estas questões. E sabe que não tem respostas concretas para estas questões, ou pelo menos a algumas delas. Aceitar ser presidente do Sporting, nunca foi, não é, nem nunca será, uma questão de bom senso, bom discurso, bom sportinguismo ou até mesmo bom equilíbrio psicológico. Ser presidente do Sporting é ser corajoso, unificador, estratega e ter um enorme sentido de oportunidade.

Não me parece até agora que tenha havido coragem por parte de Bettencourt. Demonstrou isso na queda de Paulo Bento. Permitiu que a "bancada o despedisse". Demonstrou falta de coragem na contratação do seu substituto - trazendo uma opção de recurso com quem não teve coragem de efectuar um contrato sério, pois 6 meses não é de forma nenhuma uma aposta séria e corajosa. Não teve coragem para assumir essa contratação, apresentando-a como deveria ter sido e deixando Carvalhal apresentar-se só, encolhido, num estúpido e miserável vídeo de Internet.

Houve mais "faltas de coragem" disfarçadas por discursos sem sentido e muito pouco visionários. Aliás ao ler e ouvir atentamente as suas palavras não vislumbro uma mensagem unificadora - "terroristas", "incompetentes", "cala-te pá", "preocupo-me apenas com o que diz quem cá trabalha", etc, etc - antes pelo contrário, cada frase dirigida à massa associativa parece querer incendiar ainda mais uma nação à muito dividida.

De estratega muito pouco se tem visto. Não deu condições a Paulo Bento para reforçar a sério um plantel que há muito pedia reforços de qualidade. Não garantiu desde o início que estava a começar um novo ciclo com Paulo Bento. Não definiu metas claras e objectivas para a época em curso. Não resolveu problemas de épocas passadas. Não encetou um discurso contra forças exteriores. Deixa cair toda uma estrutura da SAD e não aproveita para recrutar competentemente uma nova estrutura de futuro. Recruta Sá Pinto não explicando claramente o seu papel, sabendo da sua personalidade e atritos que facilmente criaria com personalidades vincadas no balneário. Contrata um treinador a prazo... e no momento indicado não soube colocar um ponto final na época em curso e avisar tudo e todos que estaria já a trabalhar na próxima época e... na falta de estratégia, a cereja no topo do bolo, inicia uma negociação de um jogador do plantel - simplesmente o melhor - depois do fecho do mercado e sem saber que vida o Sporting iria ter na única prova que lhe resta para competir. Palavras muitas... estratégia futura... Zero! Quanto ao sentido de oportunidade, não demonstra grande aptidão, pois fala quando não deve, cala-se quando não deve. Escolhe os temas que não deve e não fala sobre os que deveria falar e... parece-me que o seu sentido de oportunidade anda noutro fuso horário, pois encolher-se na escolha de um treinador por causa de 1 Milhão de Euros e logo a seguir comprar um jogador por 6 Milhões que não está a resolver muita coisa, para além de que o Sporting vergar-se a uma Académica na negociação de um treinador - a ser verdade tudo o que se disse e até agora ninguém o desmentiu - e ainda por cima ver a mesma Académica e o tal treinador vir a Alvalade "humilhar" a equipa e os adeptos é no mínimo desprestigiante. E a certeza de que o seu "sentido de oportunidade" não está a funcionar é permitir que o Sporting seja actualmente enxovalhado no seu nome e imagem sem resposta e acção imediata perante desaires vergonhosos que a equipa tem vivido este mês, este ano, está época.

Daí que eu pergunte... Qual a Visão de Bettencourt para o Sporting? Vai resolver os problemas existentes imediatamente? Vai esperar por alguma coisa que nós ainda não sabemos? Estará a "urdir" nas "secretas catacumbas" de Alvalade um projecto revolucionário que nos colocará a curto prazo no caminho das vitórias e conquistas de títulos? Terá já um treinador pré-contratado? Um director desportivo competente e conhecedor do universo futebolístico e pronto a cozinhar decentemente a preparação da próxima época? Fará uma limpeza de balneário profunda, reforçando a seguir o que resta do actual plantel com jogadores experientes e competentes? Veremos um Sporting traçar como objectivo único e claro a conquista do título na próxima época contra tudo e contra todos? Veremos um Sporting abrir guerra a quem nos enxovalha dentro e fora do campo? Veremos um presidente convocar toda a massa associativa a marcar presença no estádio e "ter tomates" para discursar convictamente, apelando ao Leão que existe em nós, exigir a união e luta contra tudo e contra todos para que de uma vez por todas se prove que somos mesmo a maior potência desportiva do país? Será Bettencourt capaz de unir todo o Universo Leonino e transformar Alvalade num covíl de Leões famintos e dispostos a "despedaçar" quem se cruze no caminho?

Gostava de saber que Visão tem Bettencourt para o Sporting... e a cada dia que passa, preocupo-me mais, por não a conhecer, nem ver da sua parte grande determinação em a dar a conhecer. O que sei, é que em pouco mais de 8 meses de mandato, tenho visto um Presidente mais preocupado em justificar as suas falhas com o passado e com as interferências externas, do que olhar para o futuro e vender um Sporting conquistador à imagem do que cada um nós sonha para o clube. Está na hora de o Presidente assumir o seu papel e dizer ao que vem e para onde vamos. Caso contrário, coloque o seu lugar à disposição e deixe que do vasto Universo Leonino surja quem tenha a clarividência de provocar uma revolução completa no clube, quebrando com as políticas das últimas décadas e que projecte um novo Sporting ao nível da Ambição do seu Fundador... algo que honestamente, neste momento... creio estar longe dos horizontes de José Eduardo Bettencourt e principalmente de quem o rodeia.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Everton 2 - Sporting 1: Sem Organização Vencedora.



Liga Europa - 16 Avos Final - 1ª Mão


A noite deixa mais um amargo de boca. O Pesadelo de Fevereiro continua sólido e - irritantemente - sem qualquer contestação. O Sporting perdeu o jogo da primeira mão da Liga Europa, nada de anormal. Até se pode dizer que a "felicidade" - seja lá o que for - até bafejou o Sporting, pois o resultado deixa a porta aberta para que em Alvalade a eleminatória possa ser discutida.

Mas, o que me irrita, é que um Sporting normal - de épocas anteriores! - teria vencido este jogo calmamente. Mas o actual Sporting só podia perder. É fatal como o destino. Este Sporting só sabe perder. E não é preciso que a outra equipa faça um jogo do outro mundo. Basta... rematar à baliza. O Sporting, esta noite, entrou já com a nuvem da derrota sobre a equipa e não tem alma, génio ou raiva que possa mudar isso.

A primeira parte demonstrou que o Sporting tem melhor equipa que o Everton. Melhores jogadores, melhor técnica, melhor futebol. O golo do Everton acontece até um pouco contra a corrente do jogo, pois as melhores oportunidades tinham sido do Sporting. Mas na 2ª parte, o Sporting ficou simplesmente no balneario. A equipa que subiu ao Godison Park, para jogar a 2ª parte deste jogo não era o Sporting. Pelo menos o que tínhamos visto na 1ª parte. E depois, também fatal como o destino, o 2º golo dos ingleses é mais uma obra prima de Rui Patrício. O rapaz até pode ter sofrido falta, mas ainda assim, a forma como se faz ao lance é de uma desplicência assustadoramente amadora. Um guarda redes a sério tinha dado um murro na bola de raiva, fosse quem fosse lá saltar com ele... enfim, este Karma ainda nos vai fazer sofrer muito.

Carlos Carvalhal entra em campo num 4x2x3x1... e percebe-se porquê. Quis jogar pelo seguro. Quis, não desperdiçar a última oportunidade de deixar uma marca positiva no Sporting. Quis, acalentar o sonho de ir o mais longe possível na Liga Europa. E, reconheço, acho que fez bem. De tal forma que, efectivamente controlámos o jogo durante praticamente toda a primeira parte. Pedro Mendes e Miguel Veloso estiveram muito bem como dupla de trincos e Pedro Mendes estava no seu "habitat natural" ao jogar de novo em Inglaterra num futebol que tão bem conhece. Finalmente pudemos ver Matias e Ismailov juntos e gostei do que vi. Mas... deixámos na frente um Liedson só e que por isso terá provavelmente deixado de fora do jogo o levezinho que conhecemos. Com cabeça mais fria e sem a pressão de se estar a jogar a última partida decisiva da época, tínhamos com certeza aproveitado umas das oportunidades de golo que criámos. O Everton, joga pouco, muito pouco. São o exemplo do futebol inglês à antiga. E sem grandes craques como quiseram pintar nos últimos dias.

Depois, Carvalhal, perante um 2-0 que à partida eliminaria o Sporting, mexeu na equipa - uma vez mais só efectuou 2 substituições o que diz muito da confiança que tem nas suas mexidas - tira Matias - na minha opinião mal - e tira João Moutinho - na minha opinião bem - e entra Saleiro e Yannick. A equipa acordou. Yannick, surpreendeu-me pois pegou na bola e transportou-a junto à relva em lances ofensivos que demonstraram as reais fragilidades da equipa de Liverpool. Ou seja, os defesas de Everton perante lances rápidos, efectuados por jogadores com técnica acima da média, partem os rins e dão pregos que comprometem a equipa, aliás, como se viu no lance do penalti marcado sobre Liedson - de resto o único lance que vi de jeito no Levezinho esta noite.

Em suma, perdemos, mas... podíamos ter ganho. Podíamos... mas não era a mesma coisa. Este mês de Fevereiro está a caminhar para que represente o pior mês futebolistico de toda a história do nosso Sporting. Algo que não queria testemunhar em nenhum momento da minha vida. Mas estes são os factos. Há, nesta equipa, um sentimento de tudo estar perdido nesta época. As razões são de vária ordem, e nenhuma delas ainda foi publicamente assumida. Bettencourt voltou a falar com os jornalistas e anda às "voltinhas" com o seu discurso, fugindo à verdadeira matéria de facto. Sabe, que não será por muito tempo. Em Março, vamos ter muito que discutir, que reflectir e que decidir em função da próxima época e Bettencourt sabe bem o que está em jogo.

Na próxima semana recebemos os ingleses em Alvalade. Sei que impera o desgosto em praticamente toda a massa adepta do Sporting. Sei até, que muitos sócios e adeptos - justificadamente - não querem voltar ao estádio esta época. Mas... a equipa vai precisar do nosso apoio para passar aos quartos de final da Liga Europa. Resta saber se queremos que o Sporting passe esta eliminatória.

Queria destacar pela positiva neste jogo Ismailov. Estamos na eminência de perder o melhor e mais completo jogador do actual plantel - é inacreditável o que está a acontecer com a história do Lokomotiv e das negociações oficializadas com a SAD Leonina - e hoje fez uma vez mais uma grande exibição. Não se coibiu de pôr o pé quando tinha que por e de dar o litro para que a história do jogo fosse outra. É a prova de que está ali um jogador que vale muito mais que 6 Milhões. A sua saída só dará razão às palavras do Presidente - que o Sporting não é uma organização vencedora - e com certeza uma venda do russo patrocinará a continuidade do actual estado do Sporting.

Pela negativa tenho que destacar a péssima defesa que o Sporting tem. Grimmi e Abel juntos não fazem um bom jogador. Se a estes 2 adicionarmos Rui Patrício... enfim. Viagem a Olhão, depois Everton em Alvalade e finalmente FC Porto em Alvalade e terminamos Fevereiro - e quem sabe a época - que para mim é certamente o pior mês de toda a minha vida - futebolisticamente falando - como sócio e adepto do Sporting.